Arq'usa'ars


Entre os desejos dos arquitetos e os desejos dos usuários a prevalência é do indivíduo que futuramente irá utilizar o meio. Mas isso define o fim da discussão? Se sim, o papel do arquiteto nada mais é que um aliciador de uma obra desejada por um indivíduo que compra seu tempo de trabalho, e se torna passivo a qualquer mudança feita pelo cliente. Se não, até onde o arquiteto pode pensar pelo cliente? Até onde sua criatividade e a inventividade são individualistas e inerentes ao seu gosto ou é pensado de forma mais ampla a fim de atender um maior número de possibilidades de uso?
Creio que sim, o arquiteto deve seguir o desejo do cliente, por que nada mais justo o cliente paga pelo produto que ele quer ver, caso contrário poderia simplesmente comprar uma casa pronta. Porém o arquiteto deve intervir pensando no futuro , de como aquilo pode ser útil na ocasionalidade de algum problema, ou de alguma mudança de uso.
Mas apesar disso, o arquiteto tem seu estilo de produzir arte (arte além de ser relacionada com uma ordem estética é também relacionada, de acordo com sua definição em latim “ars”, com sua técnica). E isso envolve, como na forma de escrever, um estilo próprio e único.
Então eis a dúvida nos casos extremos, quando há a irredutibilidade do cliente na obra, onde tudo deve ser metricamente perfeito e de acordo com o gosto próprio. E quando há a total liberdade de atuação arquitetônica, tendo seu único limite seu espaço físico, cabe o arquiteto então produzir um espaço útil polivalente ou um espaço extremamente “artístico”. O quanto agir? Como agir?
Fica óbvio que o papel do arquiteto quando há uma demanda muito específica do cliente é quase zero. Porém quando a área de atuação do arquiteto parece disponível, desde muito pouco até a sua totalidade, deve ser aproveitada ao máximo de forma consciente, assim como lido nos ensaios de Flusser a respeito de design, a arquitetura deve ser tratada como objeto, e ter sua utilidade elevada ao máximo, assim como a diminuição de sua problemática  e bloqueio de uma ou várias evoluções futuras.
O arquiteto não só pensa no espaço, pensa em seu uso, e ao mesmo tempo na obrigatoriedade da utilidade ou não. A mente deve ser sempre aberta e renovada. Acima de tudo, ele é o único capaz de conciliar seu estudo, sua técnica, portanto sua “ars” com o desejo do usuário.

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